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Há restos teus em cada canto da casa. Ao abrir a porta, me deparo com a sala. Esquadrinho o sofá e se fecho os olhos, consigo nos enxergar. Lembro-me das nossas tardes juntos. Dos nossos filmes. Dos programas de domingo à tarde, aqueles tediosos mesmo. De quando eu queria ver romance e você terror. Do modo que dividíamos a tv, quem ligar primeiro manda. Me lembro também das vezes que você não deixava eu assistir nada. E a única opção era fingir que não estava funcionando. Se olho pra cozinha e vejo cada coisa no lugar, me lembro das diversas vezes que ali estivemos. Quando cozinhamos juntos, ou quando um preparou o jantar para o outro. Seja para se desculpar, por uma data comemorativa ou até mesmo só pra demonstrar que nos amávamos. Me lembro também das vezes que fizemos daquela mesa, uma cama. Passo pelo corredor e chego ao banheiro. Melhor pular essa parte. Não quero contar como o teu corpo molhado é excitante. Não quero que saibam que você usava a privada de porta a berta, só pra me irritar. Melhor não dizer que você sempre deixava a pasta de dente destampada. Não quero que ninguém. Ninguém saiba dos nossos banhos juntos. Das mensagens que você me escrevia com o dedo no espelho. Como disse, melhor pular essa parte. Chego ao nosso quarto, que agora chamo de meu. É nessa hora que o coração aperta. Tudo, exatamente tudo me lembra você. Olhar pra ele é como olhar pra você. Tem a cama. Arrumada. Do jeito que eu gosto. Sorri, foi inevitável. Me lembro do sexo. Do sexo selvagem. Das noites de amor. Da troca de carinhos. Sempre me lembro de você.
316 notes (via pensamentoinsensato & querido--john)